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História de Pimenta Bueno

Por:  Amizael Gomes

         A região onde é o município de Pimenta Bueno era dominada pelos índios Nhambiquaras. Várias tribos dessa nação ocupavam imensa área, que atingiam as águas do rio Juruena, as cabeceiras do rio Ji-paraná, rio Tapajós e o rio Guaporé. Seringueiros e caucheiros situavam-se nas margens dos tributários do rio Ji-paraná, conquistando, do selvagem, muitas das suas áreas de caça e pesca. Mas somente a partir de 1909, quando o major Candido Mariano da Silva Rondon chefiando a comissão das linhas telegráficas estratégicas de Mato Grosso ao Amazonas, ultrapassou a chapada dos Parecis, rumo ao norte, é que Pimenta Bueno, passou a ter importância, com a localização da estação telegráfica com essa denominação.

          Retornando à região em 1912, Rondon colocou em funcionamento a estação de Pimenta Bueno, nomeando telegrafistas e guarda fios, e como chefe do texto que ia até Barão de Melgaço, o guarda-fio Durval Lebre. Outro guarda-fio, Hermínio Vieira de Souza, foi nomeado em 1913. Há referencia de que, 1926, Pimenta Bueno contava com uma população de 24 pessoas, familiares de Durval Lebre, Hermínio Vieira de Souza, Cristóvão de Oliveira, Norberto José  Francisco, Anísio Serrão de Carvalho e Benício de tal. Ainda hoje, naquela cidade, residem muitos descendentes daqueles pioneiros.

          Quando da criação do território federal do Guaporé, em 1943, Pimenta Bueno ficou jurisdicionado ao distrito de Rondônia. Era então um aglomerado de casas, pouco mais de dez, todas construídas em voltada estação telegráficas - única razão da existência do homem civilizado, naqueles confins. {As casas eram construídas sobre barrotes de Aquariquara, ou itaúba, tapadas e assoalhadas com panos de Paxiúba batida}.

          Algumas eram betumadas com liga de barro misturado com capim, e cobertas com, palhas de palmeiras. Somente a estação telegráfica, era construída em madeira lavrada, assoalhada e tapada com tábuas de cedro e cobertas com telhas de barro.

         Havia grande abundancia de caça na região, no pachorrento lugarejo incrustado na forquilha dos rios formadores do  Ji-Paraná ou Machado. Era comum o aparecimento, de animais da fauna Amazônica, saídos da terra firme que se afirma em forma angular. Além da fartura de caça, o rio pisco, os poucos habitantes procuravam fazer plantios de roçados, colhendo com abundância, milho mandioca,  arroz, e cana de açúcar.

          Por entre as casas que se localizavam nas margens dos rios, havia muitas mangueiras, laranjeiras, gravioleiras, biribazeiros, e outras  frutas plantadas pela comissão Rondon.

          Periodicamente os guardas saíam vistoriando os fios, retirando galhos de mato que porventura houvessem caído sobre eles e fazendo a limpeza no plantio de capim Jaraguá.

         A uns setecentos metros da confluência, os moradores construíram uma cerca divisória, para evitar a penetração do gado no vilarejo.

Todos eram criadores.

        Era norma de a comissão Rondon deixar nos postos, quando implantados, algumas cabeças de bovinos e muares, os quais forneciam leite, carne e a necessária montaria para as inspeções da linha telegráfica.

          Tudo isso era planejado por Rondon para evitar a intoxicação, de seus homens com feijão pedrado ou bichado, deteriorado, arroz sujo, carne e peixe me conserva e com a falta de frutas, que tanto prejudica o organismo; na locação da linha telegráfica, os guarda-fios eram instruídos a plantar roçados onde colhessem o feijão-base alimentícia do interior- rico em nutrientes, o arroz igualmente novo, farinha bem torrados,milho verde e maduro, inclusive para a ração diária dos animais.

          Assim era Pimenta Bueno...

          O impaludismo, porém, grassava por toda a bacia do Ji-Paraná, e Pimenta Bueno não seria exceção. O mosquito transmissor da malária estava sempre fazendo vítimas, principalmente nos incautos, desprevenidos de mosquiteiros.

          A preocupação em se proteger contra transmissor da malária, era razão da casa betumada, já mencionada, além de outros costumes tais como defumação das casas. Mesmo assim, apesar dos cuidadosos arranjos protetores, o impaludismo sempre fazia suas vitimas.

          Nas adjacências do vilarejo, na região do atual município e nas terras de Cacoal existia grande quantidade de nativos da nação Nhambiquara; os Suruís, Tubarões, os Kepi-Kiri-uats, Pamauats, Tucuateps, e muitos outros desconhecidos até então pelos membros da comissão Rondon e pelos guarda-fios de Pimenta Bueno e Barão de Melgaço.

          Aqueles silvícolas tinham bom relacionamento com o povo de Pimenta Bueno. Eles apareciam na pequena localidade, vindos do Apidiá, Comemoração, ou do Melgaço, pela picada da linha telegráfica ou mesmo fazendo significativas imitações de cantos de aves da fauna amazônica. Outros apareciam de surpresa em ubás feitas de casca de árvore escavadas a fogo. Vinham em busca dos presentes oferecidos por representantes do Serviço de Proteção aos Índios que, inicialmente, eram os chefes dos postos da linha telegráfica.

          Aos poucos, arrojados pesquisadores iam subindo o rio Machado desmontando grupiáras nos barrancos, faisqueiras, mochões, bacias de cascalho ou “emburrados” com dinamite ou alavanca em buscadas catas granitícias. E nestes avanços iam formando corrutelas nas margens do rio Machado. Uma delas, a do Seco do Brasil, ficou famosa pelas gemas que foram encontradas ali.

          As famílias, porém, não acompanhavam os garimpeiros, de imediato, mas já no final de 1950, havia muitas delas em Vila de Rondônia. Em 1951, os garimpeiros Gerson Moura Barros, Raimundo Gomes da Silva, Enjoras de Araújo Veloso, Antônio Bispo de Souza, Manoel Cassimiro Lima e Flávio da Silva Dalton construíram suas primeiras casas em Pimenta Bueno, além das moradias dos guarda-fios e dos barracões de solteiros.

          Era o início de uma nova etapa em Pimenta Bueno, que já começava a ser invadida por garimpeiros.

           Nesse início de década, o governo nomeara a primeira professora para o local, a esposa do guarda-fios Antônio Ramos, Expedita Ramos de Souza, com 22 alunos, logo elevados para mais 40, quando então a mestra teve que lecionar também no turno da tarde.

          Até o final do ano, já havia em torno de 40 famílias em Pimenta Bueno e os garimpeiros que ficaram fora do “bamburro” permaneceram a espera da safra. No decorrer do ano seguinte, mais de mil pessoas entre mulheres e crianças fixaram-se em Pimenta Bueno. A exemplo de Vila de Rondônia, os garimpeiros mais próximos do vilarejo reuniram-se para construir o campo de pouso, visando atrair os “capangueiros” ou compradores de diamantes.  Entre os líderes desse movimento encontrava-se Donato Ferreira de Queiróz. Flavio Dalto, Bertoldo Lira, Luiz Cipriano, vulgo “sem tabela”, dentre outros.

          A discreta população encurralada entre os rios Comemoração de Floriano e Apidiá, antes despercebida do que se passava em sua volta, perpassava até 1951 sem que houvesse quaisquer alteração no cenário do dia. Até que começaram a surgir os garimpeiros que invadiram-na a partir do ângulo formado pelas margens direita do Pimenta Bueno e esquerda do Comemoração. E, na medida em que as linhas marginais iam se distanciando, também as casas, pois acompanhavam o rio. Bem na forquilha o garimpeiro Enjoras Araujo Veloso construiu um bar, mas resolveu vende-lo para o governo por 50 mil cruzeiros para ali instalar a escola Major Enio. A partir da escola, os barracos iam se distanciando na abertura angular dos rios.

           Do lado do Comemoração de Floriano, ficaram principalmente, os bares e a promiscuidade em geral. Do lado do Apidiá ou Pimenta Bueno, localizavam- se as famílias.

Rapidamente o vilarejo tranquilo passara a ser, o centro da zona diamantífera em decorrência do campo de pouso, que haviam construído e, também, passara a ser o local de encontro no final de semana onde os garimpeiros iam trocar opinião sobre a maior produtividade desta ou daquela cata. No rastro de tudo isso, a cachaça e as mulheres. Uma ou duas eletrolas tipo gramofone tocavam, movidas a corda de aço durante todas as noites de sábado e domingo. Quando chegavam os capangueiros, que tinha o cuidado de dar uma sobrevoada sobre o longo trecho do rio, para avisar os garimpeiros, então subiam ou desciam o rio com seus diamantes mepicuás e, na casa de Flavio Dalto, faziam os negócios com o comprador. Era um quadro difícil de repetir hoje me dia; o garimpeiro colocava suas gemas sobre a mesa e o comprador ia dando lhes o valor que era aceito ou não, em seguida somavam e o garimpeiro saia com o dinheiro. Os capangueiros ficavam sentados entre um monte de diamantes e uma montanha de dinheiro.

           Em seguida o gerente ou patrão fazia partilha do saldo adquirido, entregando a cada garimpeiro sua parte, eles saiam dali dando tiros de revolver para comemorar.

           A BR 364, igualmente para todos os vilarejos locados na trajetória da linha telegráfica, proporcionou incalculáveis vantagens econômicas. Em Pimenta Bueno, as transformações se fizeram notar, inclusive com a transferência do povoado que era situado na parte angular das terras entre os formadores do Machado para as beiras da Rodovia. Ainda em 1960, no local onde se ergue a cidade, somente existia o barracão da firma construtora da BR, quando no dia 1 de junho, chegava o primeiro Jeep através da precária Rodovia, provocando animadas manifestações de alegria estimulantes aos descrentes no empreendimento. Ate então no local onde hoje edificou se a nova cidade não existia nada mais além do já mencionado barracão. Porem aos poucos, foram chegando moradores, e Pimenta Bueno foi crescendo não no mesmo ritmo explosivo de outra localidades da BR 364, mas mais racional, com um controle maior por parte dos administradores a partir do Senhor Raimundo Camilo, com respaldo jurídico embora muito precário.





                                           HISTÓRIA DO NOME DE PIMENTA BUENO





Por: Roque Lorenzon

 

 

A denominação dada ao rio, ao lugarejo e, oportunamente, à estação Telegráfica de “Pimenta Bueno”, pelo chefe da Comissão Rondon, deve-se a homenagem que o mesmo estaria prestando ao ilustre homem público, Francisco Antônio Pimenta Bueno, nascido em Cuiabá, aos 10 de novembro de 1836 e falecido no Rio de Janeiro em 07 de dezembro de 1888.

Francisco era filho do Dr. José Antônio Pimenta Bueno, Visconde e Marquês de São Vicente e da Marquesa Dona Balbina Henriqueta de Faria e Albuquerque.

Francisco Antônio Pimenta Bueno, de excelente formação moral, descendente de nobre família, desde muito cedo, abraçara a carreira militar tornando-se Coronel do Estado Maior de Primeira Classe.

Laureado em Ciências Matemáticas pela antiga Academia Militar, foi Pimenta Bueno distinguido pelo governo imperial com diversas e importantes comissões de caráter civil, destacando-se, dentre elas, a de exercer a Presidência da Província do Amazonas, no ano de 1888, quando D. Pedro II dirigia os destinos da nação, quase ao final do segundo reinado.

 Porem aos poucos foram chegando moradores, e Pimenta Bueno, foi crescendo não no mesmo ritmo explosivo de outra localidades da BR 364, mas mais racional, com um controle maior por parte dos administradores a partir do Senhor Raimundo Camilo, com respaldo jurídico embora muito precário.



A sua reconhecida competência técnica o colocara sempre em posição de relevo entre os seus colegas, sendo-lhe atribuída a execução de obras militares da mais alta importância, tendo-as desempenhado sempre com inteligência e patriotismo. Entre essas obras, merece menção a “Carta da Província de Mato Grosso” que por si só seria suficiente para recomendar a sua competência profissional, uma vez que nela evidencia o largo conhecimento adquirido no sertão mato-grossense, por ele explorado e desbravando.



Rondon, quando partiu no desempenho da magnânima obra (traçado da linha telegráfica), municiou-se de todos os dados e informações disponíveis a respeito do vasto sertão que iria devassar. Como ele próprio registra, especialmente quando se reporta ao fato de iria “descobrir” o rio Jurema, porquanto, nas ocasiões apenas vagas e antigas indicações documentais faziam alusão sobre ele, dentre as referências, destaca “cidade de Mato Grosso”, de Taunay e registros cartográficos, dos tempos coloniais, dentre as quais as anotações de Pimenta Bueno.



Há referências que em 1926, o vilarejo contava com a população de 24 pessoas. Até a década de 1940, o pequeno povoado viveu em função do posto telegráfico e a economia girava em torno da extração da borracha e garimpo de diamantes. Nos anos 1960 com a abertura da BR-364 pelo quinto batalhão de engenharia e construção (5.º BEC) a vila se expandiu.



Em 1969, com a implantação do projeto integrado de colonização pelo Incra, começaram a chegar os migrantes, vindos especialmente do sul, para promover o crescimento e o progresso do então território federal do Guaporé, posteriormente território federal de Rondônia. Ainda hoje, segundo pesquisadores, residem no Município, descendentes daqueles pioneiros.



"Elevado à condição de Município por meio da Lei Federal n.º 6.448, artigo 47 de 11 de outubro de 1977, sua emancipação político-administrativa aconteceu em 24 de novembro de 1977, data da instalação e na qual, anualmente, comemora-se o aniversário do mesmo e a posse do senhor Vivente Homem Sobrinho, primeiro prefeito, então nomeado pelo governador Humberto da Silva Guedes (Coronel do Exército Brasileiro)".


(LORENZON, A.R.Pimenta Bueno, um pouco de sua História - 2002).